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sábado, 8 de outubro de 2016

Coleção: Lanceiros / Polícia do Exército


Especial
MORTE OU GLÓRIA
Colecionismo de peças de Lanceiros e da Polícia do Exército.

Distintivo da Polícia do Exército (para uso junto na manga esquerda linha do ombro)

Distintivos de Lanceiros

Emblema para barrete de Lanceiros

Pormenor de mini guião do pelotão de Polícia Militar 2094 (Angola)

Distintivo antigo da Polícia do Exército (camuflado)

Mini guião da Companhia de Polícia Militar 2490 (Angola)


Distintivo antigo da Polícia do Exército, a "carica"

Distintivo atual da Polícia do Exército

Crachá do Centro de Instrução de Polícia do Exército (Portalegre)

Crachá do Esquadrão de Lanceiros do Funchal, Zona Militar da Madeira.


Emblema da Companhia de Polícia Militar 2575 (Angola)

O crachá da atual Brigada Mecanizada, antiga Brigada Mista Independente. 
O pelotão de Polícia Militar usa[va]-o.

Estatueta.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

História da Medalha de Campanhas: Roussilhão (1793-1795)

Jorge Quinta-Nova


O Marechal de Campo Francisco de Magalhães Pizarro (1776-1819), 
usando a Granada de ouro no braço esquerdo.
Entre 10 e 11 de dezembro do longínquo ano de 1795, chegavam ao porto de Lisboa as tropas portuguesas que vinham de ter participado nas Campanhas do Roussilhão. Após a paz separada, negociada entre a Espanha e França, através do Tratado de Basileia, assinado a 22 de julho desse ano, e que deixou Portugal de fora, os nossos soldados voltavam finalmente a casa. Eram o Exército Auxiliar à Coroa de Espanha, forte  de cinco mil homens entre infantaria e artilharia, comandandos pelo tenente general John Forbes, enviados por Portugal no âmbito da Primeira Coligação.


Nos Quadros Navaes (1869), Joaquim Soares dá-nos o cenário de felicidade que sempre acontece quando os nossos soldados retornam à Pátria. O príncipe regente D. João, que vinha na altura de Queluz para as Necessidades, sabendo da chegada de algumas das embarcações a Lisboa, tomou a decisão de embarcar no cais de Belém ao seu encontro. No dia seguinte, o príncipe fez questão de assistir, da varanda do palácio de Belém, com sua esposa, a princesa D. Carlota Joaquina, ao desembarque dos bravos. Estes, à medida que tocavam de novo no solo pátrio, começavam a formar. Completando o cenário, e como refere Joaquim Soares, “offerecia um bem terna scena a grande multidão de gente que se achava no local […], e em todas as ruas por onde as Tropas devião passar, para mostrarem a sua consolação em ver restituidos ao Paiz os parentes e amigos” [1].


O Brigadeiro Jorge Frederico Lecor (c. 1770-1822),
usando a Peça no braço direito, de forma regulamentar,
mas em ouro (Museu Quinta das Cruzes).
A Campanha do Roussilhão, ou Guerra dos Pirinéus, como também ficou conhecida, foi um dos conflitos da chamada Guerra da Primeira Coligação, que decorreu em vários teatros, entre 1792 e 1797. A participação portuguesa neste conflito tornou-se inevitável, tendo em vista um acontecimento notável: a execução do rei Louis XVI, na atual praça da Concorde, às 10:20 do dia 21 de janeiro de 1793. Ainda que não tenha optado por uma participação direta, Portugal enviou uma força para auxiliar a Espanha no teatro dos Pirinéus, forte de 5000 homens, a mesma que agora retornava.

Seis dias depois destas enternecedoras cenas da receção das tropas portuguesas, nascem, no Palácio de Queluz, as primeiras insígnias falerísticas (i.e., de distinção) destinadas a comemorar a participação de soldados portugueses numa campanha. A 17 de dezembro, O Príncipe Regente D. João assina dois decretos em que estabelece a ‘Granada’ e a ’Peça’, para premiar os dois ramos que combateram nos campos do Roussilhão e na Catalunha; efetivamente a primeira ‘medalha’ de campanhas das Forças Armadas Portuguesas. Não desprezando outras peças de natureza falerística anterior (quiçá mais próximas da exonumia), estas foram as primeiras a ser criadas para serem usadas pelos soldados e, mais, por todas as classes, desde os mandantes aos praças.

A Granada, de ouro para oficiais, em prata para cadetes, em seda branca para os sargentos e em lã branca para os soldados, era destinada a ser usada bordada no braço direito e consistia do desenho de uma granada tendo por objetivo distinguir todos os militares de infantaria que participaram na campanha. Era o mesmo tipo de granada que sempre havia identificado os granadeiros, tradicionalmente a élite dos regimentos de infantaria portuguesa.

A Peça, de prata para os oficiais e cadetes,  de seda branca para os sargentos e de lã da mesma cor para os praças, para usar também bordada no braço direito, premiava por sua vez todos os militares de artilharia. Apesar do decreto estipular que a peça deveria ser de prata para todos os oficiais, podemos observar na imagem do brigadeiro Jorge Frederico Lecor, que terá havido o hábito, oficial ou não, de usar a insígnia em ouro, igualando o ouro usado na Granada dos oficiais de infantaria.

Começa assim a epopeia das medalhas de campanhas, ainda no século XVIII, comemorando os feitos dos soldados portugueses e por eles portadas em símbolos de distinção e honra.

[1] SOARES, Joaquim Pedro Celestino (1869), Additamentos aos Quadros Navaes e epopéa Naval Portugueza (tomo IV), Lisboa: Imprensa Nacional - p.19.

Fontes:
ESTRELA, Paulo Jorge (2008), Ordens e Condecorações Portuguesas 1793-1824, Lisboa: Tribuna da História.

Ligações:
“Distintivos honoríficos”, Blogue Talabarte, in: http://talabarte-marr.blogspot.pt/2011/04/exercito-auxiliar-espanha-1793-1795_17.html (com imagens dos dois decretos)