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sábado, 30 de julho de 2016

Regimento de Infantaria n.º 20 (Campo Maior)

Uniformes do regimento, c. 1763

É um dos terços originais criados em 1641, o Terço de Campo Maior e depois, em 1707, Regimento de Infantaria de Campo Maior. Em 1762 foi desdobrado, mas logo reagrupado no ano seguinte. 
Com a reforma do Exército em 1806, tomou o nome de Regimento de Infantaria n.º 20. Foi licenciado pelo general Solano no último dia de 1807 e destinado a integrar a Legião Portuguesa, ao serviço francês. Após a restauração, em julho de 1808, foi mandado reunir em Évora e restabelecido a 14 de outubro. Durante a Guerra Peninsular, fez parte da guarnição de Cadiz, em Espanha, tendo sido o único regimento português presente na batalha de Chiclana. 
Foi extinto em 1834, no final da Guerra Civil.

Fontes
- Manuel Amaral, "O Exército Português no Final do Antigo Regime" (Sitío).

Imagem
- Divisas de los Regimientos de Infantería y Caballería del Reyno de Portugal, disponibilizado pela Biblioteca Nacional de Espanha [Sítio]

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Regimento de Infantaria n.º 22 (Serpa)

Uniformes do regimento, c. 1763

É um dos terços originais criados em 1641, o Terço de Serpa e depois, em 1707, Regimento de Infantaria de Serpa. Em 1762 foi desdobrado, mas logo reagrupado no ano seguinte. 
Com a reforma do Exército em 1806, tomou o nome de Regimento de Infantaria n.º 22. Foi licenciado pelo general Solano no último dia de 1807 e destinado a integrar a Legião Portuguesa, ao serviço francês. Após a restauração, em julho de 1808, foi mandado reunir e restabelecido a 14 de outubro. Durante a Guerra Peninsular, fez parte de guarnição no Alentejo. 
Foi extinto em 1834, após a Guerra Civil. 

O Atual Regimento de Infantaria 3, em Beja, é o fiel depositário das suas tradições militares.

Fontes
- Manuel Amaral, "O Exército Português no Final do Antigo Regime" (Sitío).

Imagem
- Divisas de los Regimientos de Infantería y Caballería del Reyno de Portugal, disponibilizado pela Biblioteca Nacional de Espanha [Sítio]

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Regimento de Infantaria n.º 23 (Almeida)

Uniformes do regimento, c. 1763

É um dos terços originais criados em 1641, o Terço de Almeida, Terço Velho de Almeida, e depois, em 1707, Regimento Velho de Infantaria de Almeida. Em 1762 foi desdobrado, mas logo reagrupado no ano seguinte. 
Com a reforma do Exército em 1806, tomou o nome de Regimento de Infantaria n.º 23. Foi licenciado pelo general Junot no final de 1807 e destinado a integrar o 3.º regimento de infantaria da Legião Portuguesa, ao serviço francês. Após a restauração, em julho de 1808, foi mandado reunir em Viseu e restabelecido a 14 de outubro. Durante a Guerra Peninsular, fez parte do exército em operações, na brigada portuguesa, com Infantaria n.º 11, de Penamacor, na 4.ª divisão luso-britânica. Foi extinto em 1834, no fim da Guerra Civil.

Fontes
- Manuel Amaral, "O Exército Português no Final do Antigo Regime" (Sitío).

Imagem
- Divisas de los Regimientos de Infantería y Caballería del Reyno de Portugal, disponibilizado pela Biblioteca Nacional de Espanha [Sítio]

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Regimento de Infantaria n.º 8 (Castelo de Vide)

Uniformes do regimento, c. 1763

É um dos terços originais criados em 1641, o Terço de Castelo de Vide e depois, em 1707, Regimento de Infantaria de Castelo de Vide. Em 1762 foi desdobrado, mas logo reagrupado no ano seguinte. 
Com a reforma do Exército em 1806, tomou o nome de Regimento de Infantaria n.º 8. Foi licenciado pelo general Solano no último dia de 1807 e destinado a integrar a Legião Portuguesa, ao serviço francês. Após a restauração, em julho de 1808, foi mandado reformar em Évora e restabelecido a 14 de outubro. Durante a Guerra Peninsular, fez parte do exército em operações, na brigada portuguesa, com Infantaria n.º 13, de Chaves, na 6.ª divisão luso-britânica. 
Foi extinto em 1834, no final da Guerra Civil.


Fontes
- Manuel Amaral, "O Exército Português no Final do Antigo Regime" (Sitío).

Imagem
- Divisas de los Regimientos de Infantería y Caballería del Reyno de Portugal, disponibilizado pela Biblioteca Nacional de Espanha [Sítio]

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Regimento de Voluntários Reais

Uniformes da infantaria, c. 1763


O Regimento de Voluntários Reais foi criado em 8 de Agosto de 1762 com o efectivo de 800 praças, divididos em 8 companhias de Infantaria e  4 companhias de Cavalaria, sob o comando do coronel Charles Chauncy. Após a Guerra do Pacto de Família, , ficaram aquartelados em Faro, pelo menos desde 1767, onde foi extinto entre 1769 e 1772.

Foi a primeira experiência do uso de tropas ligeiras na primeira linha, ou tropa paga, do Exército Português. Os batalhões de caçadores iriam adotar em 1806 a cor castanha do tecido de saragoça que esta unidade usou. Também a Divisão de Voluntários Reais do Rei, em 1815, emulou tanto o nome quanto a cor dos uniformes. Várias outras unidades posteriores do tipo usaram o nome Voluntários Reais (S. Paulo e Rio Grande), assim como o modelo do uso combinado ligeiro da infantaria, cavalaria e artilharia.

Uniformes da cavalaria, c. 1763

Imagem
- Divisas de los Regimientos de Infantería y Caballería del Reyno de Portugal, disponibilizado pela Biblioteca Nacional de Espanha [Sítio]

Regimento de Infantaria n.º 19 (Cascais)

Uniformes do regimento, circa 1763


É um dos terços originais criados em 1641, o Terço de Cascais e depois, em 1707, Regimento de Infantaria de Cascais. Em 1762 foi desdobrado, mas logo reagrupado no ano seguinte. Com a reforma do Exército em 1806, tomou o nome de Regimento de Infantaria n.º 19. Foi licenciado pelo general Solano no último dia de 1807 e destinado a integrar o 2.º regimento de infantaria da Legião Portuguesa, ao serviço francês. Após a restauração, em julho de 1808, foi mandado reunir em Lisboa e restabelecido a 14 de outubro. Durante a Guerra Peninsular, fez parte do exército em operações, na brigada portuguesa, com Infantaria n.º 7, de Setúbal, na 7.ª divisão luso-britânica. Foi extinto em 1834, após a Guerra Civil.

Fontes
- Manuel Amaral, "O Exército Português no Final do Antigo Regime" (Sitío).

Imagem
- Divisas de los Regimientos de Infantería y Caballería del Reyno de Portugal, disponibilizado pela Biblioteca Nacional de Espanha [Sítio]

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Regimento de Infantaria n.º 9 (Monção/Viana/Lamego)


Uniforme do regimento, circa 1763.
Foi um dos terços que se tentou organizar em 1641, mas só em 1642 foi levantado enquanto Terço de Entre Douro e Minho. Como todos os terços, torna-se Regimento de Infantaria em 1707. A partir de 1757, com a criação de um segundo terço na província, passou a ser o Terço Velho. Em 1762 foi desdobrado, mas logo reagrupado no ano seguinte. Foi nesta altura, com o 1.º de Olivença (futuro n.º 3), um dos dois únicos regimento de infantaria que usava a cor laranja no uniforme. Foi conhecido a certa altura por Regimento de Infantaria de Monção, por estar aquartelado nessa praça, mas por volta de 1792 fixa-se em Viana de Castelo. Com a reforma do Exército em 1806, tomou o nome de Regimento de Infantaria n.º 9. 

Foi licenciado no final de 1807 pelo general Taranco e não terá sido requisitado para a futura Legião Portuguesa, ao serviço francês. Após a restauração do Reino, em junho de 1808, foi mandado reunir no Porto e formalmente restabelecido em outubro. Trás os Montes. Durante a Guerra Peninsular, fez parte do exército em operações, na brigada portuguesa, do Minho, da 3.ª divisão luso-britânica. 

Durante a Guerra Civil, tomou o lado liberal, sendo organizado em 1832, como 3.º batalhão do Regimento de Infantaria n.º 18, o antigo 2.º regimento do Porto, tendo voltado a usar o n.º 9 no ano seguinte. Após a guerra, o regimento ficou aquartelado em Bragança, de onde o seu 1.º batalhão partiu para integrar a Divisão Auxiliar a Espanha em 1835-37.

Passou a Lamego em agosto de 1939, onde está até hoje. O 1.º batalhão combateu na Flandres, na Grande Guerra, tendo combatido em La Lys, a 9 de abril de 1918.

A partir do regimento, foi criado em 1960 o Centro de Intrução de Operações Especiais, ainda em Lamego, unidade que carrega hoje toda a herança do Terço Velho de Entre Douro e Minho, Regimento de Infantaria de Monção, de Viana e n.º 9. O CIOE passou em 2006, a Centro de Tropas de Operações Especiais.



Fontes
- Manuel Amaral, "O Exército Português no Final do Antigo Regime" (Sitío).
- Sítio do Exército Português: Historial do CIOE
- David Magno, Resumo Histórico do Regimento de Infantaria n.º 9, mandado publicar pelo Comandante Manuel Telles Amaro, coronel, Lamego: Minerva da Loja Vermelha, 1930. [Pdf] , disponibilizado pela Biblioteca Nacional.

Imagem
- Divisas de los Regimientos de Infantería y Caballería del Reyno de Portugal, disponibilizado pela Biblioteca Nacional de Espanha [Sítio]



sexta-feira, 10 de junho de 2016

Postal: Soldado de Infantaria, Regimento da Praça de Moura, destacado no Rio de Janeiro (1762);


Postal n.º 216-24 – Soldado de Infantaria do Regimento da Praça de Moura, destacado no Rio de Janeiro (1762), Colecção de aguarelas do Coronel Ribeiro Arthur (in Arquivo Histórico Militar). Edição do “Jornal do Exército”, 1984

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Lecor e a carga de Infantaria 14 em St. Pierre de Irube (13.12.1813)


William Heath, Attack on the road to Bayonne
Tendo lido numa postagem do blogue Lagos Militar, do João Centeno, que foi lançado um livro acerca do Regimento de Infantaria n.º 14 (Tavira), coordenado pelo Coronel Rui Moura, achei por bem renovar a minha ofensiva bloguista (há muito adiada) com a transcrição de uma carta do então Marechal de Campo Carlos Frederico Lecor (hoje em dia seria Major-General) ao Ajudante General Manuel de Brito Mozinho, acerca do papel do seu comando nos acontecimentos de 13 de Dezembro de 1813, o último dia da Batalha de Nive.

Defronte de Baiona, na França, e durante 5 dias as forças francesas atacaram o Exército Anglo-Português tanto na margem esquerda do rio Nive (de 9 a 12 de Dezembro), como na margem direita (a 13 do mesmo mês).


A Batalha de St. Pierre, como é particularmente conhecida a acção do dia 13, por acontecer junto a St. Pierre d'Irube, consistiu no ataque francês em 3 sítios defronte dos altos de Mouguerre, em frente a Baiona no lado direito do rio Nive (a oeste, em VilleFranche; ao centro defronte de Horlopo; e a leste, em Vieux Mouguerre). 


O dia foi particularmente sangrento porque as forças aliadas neste lado do rio - o Corpo de Rowland Hill, constituído pela 2.ª Divisão e pela Divisão Portuguesa, estavam isoladas do resto do Exército Aliado.
Apesar de Wellington ter enviado outras divisões, mal se apercebeu dos movimentos franceses, foram as duas divisões isoladas que resolveram o dia, com os seus próprios recursos.

A Divisão Portuguesa, na reserva, entrou em acção já de tarde, quase ao final da acão, com a sua Brigada do Algarve (Infantaria 2 e 14) de Hipólito da Costa, a preencher uma parte da frente, entre o 71.º e o 50.º Regimentos ingleses (Brigada Barnes, da 2.ª Divisão) que estava em perigo sério de ceder aos franceses.

A acção da Brigada do Algarve nesta zona foi vital para que a linha fosse mantida, e as acções de Infantaria 14 são particularizadas por Lecor, nomeadamente uma carga à baioneta feita pelo 2.º Batalhão do regimento para apoiar o 1.º Batalhão, que estava em apuros. A prova da intensidade destes combates foi que vários generais foram feridos na acção, nomeadamente o próprio Lecor.

Aqui fica então a carta:

Illmo. Senhor, 

Tenho a honra de remeter a V. S. para aprezentar ao Illmo. Exmº Sr. Marechal Marquez de Campo Mayor o Mappa dos mortos e feridos que a Divizão do meu commando teve na acção do dia 13 do corrente em frente de Bayona; tendo ao mesmo tempo a satisfação de poder assegurar a S. S. que a conducta dos Corpos que a compoem foi a mais bizarra, não podendo deixar com tudo de particularizar o 2.º Batalhão do Regimento n.º 14 pella brilhante carga que executou debaixo do meu immediato commando, atacando o inimigo à baioneta pª poder desembarassar o 1.º Batalhão do mesmo regimento quando se vio obrigado a seder o terreno para evitar de ser involvido por huma força supperior de Voltigeurs, que o atacárão, os quaes voltarão caras precipitadamente perdendo a pozição, e deixando em poder do 2.º Batalhão alguns prizioneiros. 

Meresse ser levado à prezença de S. Exª o modo distincto com q os Commandantes das duas Brigadas o Sr. Antº Hipolito Costa, e o Sr. J. Buchan prehencherão os seus deveres assim como a conducta dos Commandantes dos Corpos o Sr. Cor. Jorge de Avilez de n.º 2, o Sr. Cor. Luis Maria de n.º 10, o Major Rodrigo Vito Moreira [Rodrigo Vito Pereira] Comandante interino de n.º 14 o Ten. Cor. Hill de n.º 4, do Cap. Pamplona graduado em Major do Bat. de Cassadores n.º 10, e a do Ten. Cor. Tulloh Commandante da Artilharia, o qual depois de se ter comportado com a intelligência do costume foi ferido gravemente. 

Não devo deixar de rogar a V. S. queira por na prezença de S. Ex. que entre os bravos officiaes que ficarão no campo de honra o Capitão Urbano Xavier Henriques do Regimento n.º 14 que morreu à testa da sua Companhia era cazado, e que a sua infeliz viúva se faz credora da protecção de S. Ex. 

Os Srs. Brigadeiros Costa e Buchan me aprezentarão os nomes dos indeviduos que debaixo das suas vistas tiverão mais ocazião de se poderem destinguir, dos quaes remeto relação para conhecimento de V. Ex. 

Seria faltar ao meu dever se deixasse em esquecimento os nomes dos indeviduos que durante a acção, e dispozições para ela me assistirão como officiaes do estado mayor desta Divizão dando-me provas de entelligencia zello,e actividade pelo que tenho ahonra de os recomendar a S. Ex, sendo os seguintes = O Ten. de Cav. D. Gastão da Camera –Ajd. de Campo do Exmo. Gen. Hamilton. O Ten. Joze Ferrira da Cunha = meu Ajudante d’Ordens. O Ten. do Exército de S.M.B. Grifits. 

Além dos officiaes que constão das relações dadas pellos Srs. Commandantes de Brigada me foi recomendado no momento da acção o Alferes do Regimento n.º 14 António Lobo da Silva cujo Alferes se unio ao Batalhão de Cassadores com huma partida do mesmo Regimento. 

Deos guarde a V. Sª. Quartel de Moguerre, 16 de Dezembro de 1813 
Illmo. Sr. Manoel de Brito Mozinho 

P.S.: O Major Pereira commandava o 2.º Bat. do Regimento n.º 14 no momento em q mandei atacar à baioneta, e depois de ser ferido o major [Jacinto Alexandre] Travassos q com todo o valor foi ferido he q recahio o Commando do Regimento no dito Major Pereira. 

Carlos Frederico Lecor 
M. de C.

[AHM, 1.ª Divisão, 14.ª Secção, Caixa 243, n.º 7]

(Imagem acima, retirada da revista Highland Light Infantry Chronicle, Janeiro de 1914, p.40 e pode ser vista em http://books.google.pt/books?id=pCxtyaZr8ZQC)

ORIGINALMENTE PUBLICADO Em Busca de Lecor (2009)

sábado, 30 de janeiro de 2016

"Perdoa-me, Ferro!" (1807)

Uma Estória Alentejana


Igreja da Misericórida, Vila Viçosa
No ano de 1807, a crise diplomática com França e Espanha começava então a desenvolver-se e uma futura ameaça a desenhar-se, vindo a materializar-se definitivamente em Novembro, com a Primeira Invasão Francesa.

Apesar do estado em que o Exército Português se achava, a cagança e o espírito de corpo era sempre forte entre os soldados orgulhosos do seu regimento e particularmente da sua companhia.

D. Pedro José de Almeida Portugal, 3.º Marquês de Alorna, então tinha mudado o estado maior de Estremoz, onde estava desde que fora nomeado para Governador d'Armas do Alentejo, em 1805, para Vila Viçosa em início de 1807, na ocasião da augusta visita real do Príncipe Regente D. João e da Corte à vila, onde teve lugar o Brinco (ou Exercício) do Alto da Aboboreira, simulando a famosa batalha de Austerlitz com as tropas da província, em Fevereiro.


Foi na vida de guarnição de Vila Viçosa, pouco mais de um mês após o brinco, que se deu a curiosa história do anspeçada Fernando Ferro, de Infantaria 20 (Campo Maior), esfaqueado que foi pelo soldado Onofre José da Silva, de Infantaria 15 (2.º de Olivença),  no calor de uma discussão em que o primeiro acaba por ofender o bom nome dos bigodes dos Granadeiros de Olivença. Os bigodes eram um símbolo importante, e identitário, das duas companhias de élite, os Granadeiros, que cada regimento de infantaria portuguesa tinha na altura.

Segue a transcrição de uma carta do general marquês de Alorna ao então Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Guerra, D. António de Araújo de Azevedo, 1.º conde da Barca, informando-o de tudo o que aconteceu:

Illmo. e Exmo. Snr.


Fernando Ferro, Anspessada da 2.º Companhia do Regimento de Infantaria n.º 20, disputando com Onofre Jozé da Silva, Soldado da 6.ª Companhia do Regimento de Infantaria n.º 15, acabou dizendo que não sahiria de Villa Viçoza, sem fazer hum pincel de bigodes dos Granadeiros de Olivença, este segundo, picando-se do brio de que esta Nação hé tão susceptivel, com grande disconto de ser mal criado, puchou por huma navalha, dêolhe huma facada, e fugio.

O Commandante do Regimento tirou deste cazo a vantagem de reprezentar a indignidade da arma curta, empregada por hum soldado que professa valentia, e lialdade, e que se dezonra dobradamente, quando comete acção traidora com arma traidora. – quando todos estavão persuadidos disto, entra o criminozo pelo quartel, dizendo que tinha cometido o crime, e que alli vinha para lhe fazerem o que quizesse ; foi prêzo. 

Pela Semana Santa, estando eu na Mizericordia, dizem-me que o soldado de Campomaior me queria falar, e o que quis foi perdoar ao seu assassino, e pedirme incarecidamente que o mandasse soltar – não o mandei soltar, mas mandeio buscar, e contei-lhe o que estava sucedendo – ao que elle respondeo tu já me perdoaste, mas eu sempre te quero pedir perdão; e deitandoselhe aos pés, perdoame Ferro – neste cazo que eu não podia dicidir, dicidi em Nome de Sua Alteza Real, que ficasse solto, e espero que Sua Alteza Real me fassa a honra de me mandar dizer que fiz bem.

Deus Guarde a V. Ex.ª m. ann. Villa Viçoza. 27 de Março de 1807.


Illmo. e Exmo. Snr. Antonio de Araujo de Azevedo

      Marquez d’Alorna




Sete meses depois, Portugal seria invadido por forças espanholas e francesas. Ambos os regimentos foram licenciados e os que ficaram formaram a Legião Portuguesa, os de infantaria 15 para o batalhão de Caçadores, ao serviço de Napoleão, tendo servido na Rússia. Os que voltaram a casa retornaram pouco depois, na segunda metade de 1808, aos seus regimentos quando foram re formados.



Fonte:
Arquivo Histórico Militar, 1.ª Divisão, 13.ª Seção, Caixa n.º 25, n.º 8

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