quinta-feira, 5 de abril de 2018

Medalha da Campanha do Uruguai (1811-12)


A Medalha da Campanha do Uruguai (1811-12). Esta é uma das mais interessantes e desconhecidas medalhas luso-brasileiras por diversas razões, e possivelmente a primeira condecoração do Brasil independente de 1822. 

Por decreto de 25 de Setembro de 1822, apenas duas semanas após a proclamação de independência, D. Pedro I autoriza que o emblema dado aos participantes da campanha do Uruguai de 1811/1812 (que os historiadores hispanófonos chamam a 1.ª Invasion Portuguesa) [Leia na Wikipedia acerca da 1.ª Campanha 'Cisplatina'] seja atualizado em medalha, com a adição de um cruz em torno do círculo original de 1813 e pendente de fita amarela. 

O emblema original
Na prática, devido ao pedido dos veteranos, o emblema que foi originalmente decretado pelo Príncipe Regente D. João a 20 de Janeiro de 1813 passa a poder ser utilizado como medalha pendente do peito. O decreto do emblema de 1813 é da Gazeta do Rio de Janeiro n.º 17, de 27.2.1813.

O emblema era usado no braço direito, dourado para os oficiais generais, de prata para oficiais e de estanho para os sargentos e praças do Exército Pacificador do Sul, comandado pelo Conde do Rio Pardo, D. Diogo de Sousa. Esta força chegou a ameaçar Montevideu, mas depois retirou, em função de um tratado com Buenos Aires.

A mais antiga medalha brasileira?
Tendo em conta a data do decreto de 1822, poderemos considerar esta a mais antiga medalha militar brasileira pós independência e, não só isso, a primeira condecoração honorífica brasileira em termos cronológicos, precedendo as várias ordens que são apenas legisladas a 1 de Dezembro de 1822.

Ainda que na prática seja apenas uma reforma legal, o tempo da sua criação coincide com as primeiras semanas da independência e uma forte aposta na valorização das forças imperiais brasileiras, agora mais que nunca dada a separação dos países.



A medalha que apresento em cima (reverso), e outra do seu anverso, no topo deste artigo, é da coleção Coleção Leone Ossovigi, do Museu Imperial de Petrópolis e pode ser vista no sítio do Museu.

Uso da medalha
Em seguida, dois grandes militares brasileiros que portam a medalha nos seus retratos, junto à medalha do Barão da Laguna, para as campanhas de 1811 a 1828. 

De notar que de acordo com a legislação da medalha Barão da Laguna, criada meses depois em 1823, o uso desta primeira, actualizada em 1822, seria desnecessário se o militar obtivesse a segunda. No entanto, ou a lei foi alterada, ou era aceite o uso das duas medalhas.

Em qualquer dos casos, faz sentido o uso das duas, na medida em que foram campanhas com implicações e condicionalismos bastante diferentes. Da mesma forma, representaram dois momentos militares na guarnição da província do Rio Grande.


José de Abreu
Usa a medalha do Uruguai, em prata, e a do Exército do Sul.



Sebastião Barreto Pereira Pinto: Usa a medalha do Uruguai, dourada (atualizada ao seu posto à altura do retrato), e a do Exército do Sul, assim como 3 placas de ordens imperiais brasileiras (Rosa, Cruzeiro e não identificada).

As condecorações brasileiras costumavam ter um tamanho reduzido, face à norma, o que fica aqui demonstrado.

Não me foi possível identificar se existem os exemplares originais em algum museu ou em coleção particular, nem tenho conhecimento de nenhuma fotografia desta condecoração.


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Bibliografia
- ESTRELA, Paulo Jorge, Ordens e Condecorações Portuguesas 1793-1824, Lisboa, Tribuna da História, 2008.
- DIÁRIO DO RIO DE JANEIRO

* Artigo originalmente publicado no Blogue Os Voluntários Reaes, aqui.

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